Menu

Pouso Alegre e Athletic garantem acesso para a elite estadual/ Coluna / Álvaro Vilaça / Tempo Esportivo

Primeiro Tempo

O ano de 2020 já entrou para a história como o mais dramático das últimas décadas, em função da pandemia do Covid-19, tanto do ponto de vista da saúde pública, como em questões relacionadas com déficits financeiros nos mais variados segmentos.

O Mineirão, assim como os outros estádios, não recebe jogos desde março./Foto: ReproduçãoO Mineirão, assim como os outros estádios, não recebe jogos desde março./Foto: Reprodução

O Campeonato Brasileiro de futebol, por exemplo, já ultrapassou a marca de R$ 16 milhões em prejuízo para os times participantes por conta da falta de público. Os documentos consideram custos como pagamento da equipe de arbitragem, despesas operacionais do estádio, segurança, ambulância e controle de dopagem. Normalmente, eles seriam cobertos com a renda obtida pela venda de ingressos de cada partida, mas como não há público presente, não há fonte de renda.

Confira o ranking completo dos prejuízos somados até a última rodada:

1º - Flamengo: R$ 2.066.403,65
2º - Fluminense: R$ 2.050.665,11
3º - Atlético-MG: R$ 1.126.614,99
4º - Botafogo: R$ 1.119.504,12
5º - Palmeiras: R$ 876.500,00
6º - Ceará: R$ 870.302,99
7º - Vasco: R$ 757.709,27
8º - Bahia: R$ 731.749,11
9º - Fortaleza: R$ 689.620,00
10º - Internacional: R$ 674.261,44
11º - Santos: R$ 667.286,43
12º - São Paulo: R$ 643.140,74
13º - Coritiba: R$ 610.577,40
14º - Grêmio: R$ 603.747,29
15º - Corinthians: R$ 590.560,91
16º - Red Bull: R$ 572.321,74
17º - Athletico: R$ 510.244,89
18º - Atlético-GO: R$ 457.773,24
19º - Goiás: R$ 447.341,83
20º - Sport: R$ 82,68
Total: R$ 16.066.407,83

Vale lembrar que, esses números são relativos aos gastos operacionais por cada jogo. Há também a contabilidade de projeção de lucros que não se materializaram com a falta de público nos estádios. Jogando como mandante em 19 partidas da competição, fazendo uma campanha muito boa e liderando o campeonato durante várias rodadas, quantos torcedores teriam comprado ingressos para os jogos do Atlético em 2020, por exemplo? Com previsão média de 40 mil pessoas por partida e um ticket médio de R$ 100,00 por ingresso, estima-se que o Galo deixará de arrecadar, até o fim da competição, muitas dezenas de milhões de reais. Uma lástima total para os clubes profissionais do Brasil, que nunca tiveram condições financeiras confortáveis e que agora vivem o ápice do agravamento de suas dívidas. O 2021 passa a ser totalmente imprevisível diante do caos financeiro instalado durante a pandemia!

Segundo Tempo

A diretoria, comissão técnica e jogadores do Cruzeiro têm tido um ano muito desgastante. Fora de campo os problemas financeiros e jurídicos sugam todas as energias de quem comanda o clube, num emaranhado de pendências que parece não ter mais fim. Dentro das quatro linhas o time segue o seu calvário, vivendo altos e baixos na Série B e sem conseguir a tão sonhada arrancada de vitórias, com vistas ao retorno à divisão de elite do futebol brasileiro.

Além disso, tem ocorrido algumas declarações no mínimo confusas e que deixam as pessoas com total falta de entendimento do fato em si. Um exemplo foi a fala de Felipão, após a derrota para o Confiança, semana passada no Mineirão: Sergipe (estado do Confiança) e Pará não são estados exatamente próximos, suas capitais se separam por cerca de 2 mil quilômetros de estrada. Mas Felipão virou assunto na internet depois que, insatisfeito com a derrota do Cruzeiro para o time sergipano, questionou a escala da CBF por colocar um árbitro paraense para apitar um jogo de um time de Sergipe. "Vai jogar um time de Sergipe e vem gente do Pará apitar? O pênalti poderia ser dado pelo árbitro, que estava a cinco metros do lance". A fala do treinador celeste continua sem fazer sentido algum, naquilo que mais pareceu ser uma fala, sem argumentos, para tentar explicar o inexplicável!

Enquanto isso, pela terceira vez na temporada, as contas não pagas em anos anteriores chegaram com juros, e altos, ao Cruzeiro. Após os casos de Denilson e William, o Cruzeiro se viu agora punido por um não repasse de percentual da venda de Bruno Viana, em 2016. Mais uma vez, o clube se viu prejudicado esportivamente por contas não pagas em anos anteriores.

Assim como foi com William, o Cruzeiro foi impedido pela Câmara Nacional de Resoluções e Disputas (CNRD) de realizar novos registros de atletas. Com isso, as chances de ainda tentar uma contratação foram minadas novamente. O prazo para registro de atletas na Série B vai até 7 de dezembro.

As punições junto à grave crise financeira do clube mineiro fizeram com que o planejamento de todo o ano fosse atrapalhado. Além disso, o Cruzeiro fez contratações que não deram certo em 2020, trazendo novas dívidas e não tendo retorno em campo.

Pouso Alegre e Athletic garantem acesso para a elite estadual

O Pouso Alegre se sagrou campeão do Módulo II do Campeonato Mineiro no último final de semana. O Dragão empatou no Manduzão contra o Nacional de Muriaé, por 1 a 1, e se aproveitou da igualdade sem gols entre Betim e Athletic para ficar com a taça da competição.

Com o resultado de igualdade em Betim, o time de São João Del Rei chegou aos 9 pontos e se classificou como segundo colocado no quadrangular. Em primeiro terminou o Pouso Alegre, que já havia garantido o acesso na rodada anterior.

A última vez em que o Athletic disputou a elite do futebol mineiro foi há 50 anos. Em 1970, a competição foi disputada por 24 equipes, divididas em três grupos na primeira fase. A equipe de São João estava no Grupo C e terminou em penúltimo lugar, com apenas quatro pontos em 14 partidas. O Pouso Alegre retorna à Primeira Divisão depois de quase 30 anos ausente.

Foram rebaixados para a Terceira Divisão de Minas Gerais o Mamoré de Patos de Minas e o CAP de Uberlândia. Por outro lado, estarão no Módulo II de 2021 o Tupynambás de Juiz de Fora e o Villa Nova.

Orçamento do Atlético aumenta para 2021

O Atlético apresentou o orçamento traçado pela diretoria visando à próxima temporada. Em 2021, o Galo prevê arrecadar, de maneira bruta, R$ 401 milhões, com meta de fechar o exercício com superávit de R$ 5 milhões. Números superiores ao orçamento de 2020 (superávit de R$ 1,9 milhão).

Vale destacar que o orçamento de 2020 foi aprovado por unanimidade no conselho em dezembro de 2019, meses antes de o Brasil ser impactado pela pandemia da Covid-19, o que gerou buracos financeiros nos clubes.

No caso do Galo, o orçamento foi comprometido de forma brusca e a realidade financeira do clube na atual temporada será verdadeiramente reconhecida no balanço financeiro a ser publicado (e examinado pelo conselho) até abril/2021.

O orçamento é um plano projetado pela diretoria prevendo movimentações, arrecadações, traçando metas e se preparando para despesas. Não representa a realidade, e sim um pensamento a médio/longo prazo. No campo de receitas, há um incremento para 2021. São 381 milhões líquidos contra R$ 295 milhões de 2020.
Haverá aumento na receita do futebol, na venda de jogadores, comercialização de direitos de transmissão de jogos pela TV, bilheteria (inexistente em tempos de novo coronavírus) e no programa de sócio-torcedor conhecido como Galo na Veia.

O Diamond Mall, do qual o Atlético detém 15% de todos os alugueis/luvas de lojas e estacionamento, renderá R$ 8,2 milhões, contra R$ 10 milhões de 2020. Os clubes sociais (Labareda e Vila Olímpica) apresentarão queda parecida.

Uma diminuição benéfica é no campo "empréstimos novos", que o clube utiliza para fazer a máquina girar. Em 2020, eram R$ 80 milhões, e em 2021, são R$ 57,5 milhões.

O Atlético ainda terá R$ 60 milhões do orçamento para comprar atletas, contra R$ 20 milhões do orçamento de 2020. Além disso, o dinheiro recebido na venda de jogadores gera despesas (pagamento de impostos) e haverá crescimento. São também R$ 5 milhões a mais para investir nas categorias de base, o que será um recorde do clube.

Álvaro Vilaça é formado em Comunicação Social e Marketing, apresentador de TV, ex-narrador e ex-repórter esportivo da Rádio Inconfidência de Belo Horizonte, Diretor de Programação e Coordenador de Esportes da Rádio Eldorado e do Jornal Hoje Cidade. Também é o responsável pela coluna de Esportes do Jornal Notícia e é professor de Negociação, Compras e Marketing das Faculdades Promove de Sete Lagoas. Pós-Graduado em Administração e Marketing.





Publicidade

Links patrocinados