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Delegado da Polícia Federal afirma que 'A Vale sabia desde 2015' sobre Brumadinho

“Tanto a Vale, quanto a empresa auditora conheciam a lei, conheciam as portarias, e elas sabiam o que tinham que fazer, mas elas optaram por outro caminho'', afirmou o delegado da Polícia Federal, Cristiano Campidelli, em entrevista ao Itatiaia Agora na tarde desta sexta-feira (26). O segundo inquérito que investiga o rompimento da barragem de Brumadinho foi concluído nesta sexta-feira (26).

 Foto: ReproduçãoFoto: Reprodução

“A Vale sabia desde 2015 que, em caso de rompimento daquela estrutura, mais de 200 pessoas poderiam morrer. A Vale sabia desde 2017, assim como a própria empresa auditora (a alemã TÜV SÜD), que a barragem não apresentava fator de segurança minimamente suficiente,” disse o delegado ao ser questionado sobre a investigação.

Segundo Campidelli, as empresas e os funcionários estavam cientes que a barragem não apresentava o fator mínimo de segurança, além de apresentar um risco de rompimento 20 vezes maior do que o aceitável, mas encontraram uma maneira de atestar a estabilidade da estrutura. "Eles toparam forjar documentos, falsificar uma informação no relatório para dizer que um fator de segurança de 1,05 seria suficiente quando o mínimo seria 1,3," afirmou.

O delegado afirma que a omissão não foi o ato mais grave, mas a falsa ideia de segurança passada aos trabalhadores e moradores da região. Segundo Campidelli, as empresas fizeram simulados e anunciaram que sirenes seriam acionadas no caso de rompimento da barragem, mas esqueceram de dois pontos importantes.

“Primeiro, as pessoas teriam menos de um minuto para se salvarem. Segundo, as sirenes não funcionaram,” afirmou o delegado, que definiu esse ponto como algo que impossibilitou ou dificultou o resgate de muitas das vítimas.

O rompimento da barragem B1 da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, aconteceu em 25 de janeiro de 2019. Dezenove pessoas e as duas empresas foram indiciadas pelas práticas de crimes ambientais e homicídio por dolo eventual multiplicado por 270 vezes, número de vítimas do rompimento da barragem.

Com Itatiaia




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