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Atual Presidente do Democrata relata sua história no dia dos 96 anos do time
Seg, 14 de Junho de 2010 08:56
No dia em que se comemora o aniversário de 96 anos do Democrata, Felisberto Gregório, um homem de 69 anos e atual presidente do clube, ajuda a contar uma historia, que confessa, se mistura muito com a sua trajetória pessoal. Em um país considerado “do futebol” onde jovens jogadores se destacam pelos altos salários e pelos escândalos, histórias como a do atual presidente do Democrata, merecem toda atenção e também mostram que o esporte, quando aliado a educação é “um meio para o sucesso”. Hoje atuando a frente da presidência do clube, e anos após o fim da sua trajetória como atleta, Felisberto ainda se emociona ao lembrar tudo de bom que o clube lhe proporcionou e ainda proporciona.
Site SeteLagoas: Como começou a sua história de amor com o Democrata? Foi amor a primeira vista?
Felisberto Gregório: Todo mundo tem um começo e o meu foi no Democrata. Eu nasci em 1941 e desde cedo cresci no mundo do futebol. Lembro-me bem de quando eu era pequeno e desde então já tinha uma paixão pela bola de futebol. Eu sempre ia para a porta do estádio, ficava lá jogando bola na rua e de repente, eu já estava dentro do clube. Eu me considero um sortudo porque tive a oportunidade de entrar para o Democrata e nele começar desde a categoria “fradilnha”, porque nessa época já tinha essa categoria, até o profissional onde atuei por anos. Então foi assim, o começo do meu caso de amor com o Democrata.
SSL: Como foi a infância do senhor, ela ajudou a ingressar no mundo do futebol?

SSL: Na escola como era, o senhor sempre estava enturmado com o pessoal do futebol?
FG: Na escola, como em todos os lugares havia o pessoal rico e o pessoal pobre, e eu, graças a Deus sempre me destaquei nos estudos. Sempre fui o primeiro da turma, independente da minha condição financeira. Com isso, todos os ricos me bajulavam (risos). Eu estudei o primário na escola Arthur Bernardes e sempre tive uma frase comigo, “o caminho mais rápido entre o homem e o sucesso é o estudo”. E assim eu fui driblando as dificuldades sempre em busca de uma saída para este menino pobre que queria ser alguém na vida.
SSL: O senhor disse que a sua história está muito ligada a do Democrata, tal como um casamento, mas em algum momento houve uma espécie de “separação” do clube?
SSL: Como era Felisberto jogador? O senhor tem uma boa lembrança dessa época?
FG: Eu era um ídolo, e fora de campo eu também fazia um sucesso danado. Todas as moças queriam namorar comigo na época (risos). Acabou que eu fiquei muito famoso quando eu era jogador. Teve uma vez que eu tive uma decepção amorosa por que o pai de uma moça que eu gostava não queria que eu namorasse com ela só porque eu era pobre e jogador. Um dia eu fui a casa dela e o pai dela me disse de uma forma bem franca e sincera que a filha dele não poderia me namorar por que eu era um homem pobre e ainda jogador de futebol. Fiquei muito decepcionado, nossa como eu sofri com a frase que ele me disse. Na hora eu pensei mais uma vez que eu teria que focar nos estudos, pois o aprendizado só aumenta. Mais uma vez pensei em estudar, ter grandes chances de subir na vida e ainda adquirir o que mais importa que é o conhecimento. O dinheiro, esse um dia acaba. Com isso eu agradeci e nunca mais quis ver moça, mas comigo, além da mágoa ficou o aprendizado. Já como jogador, há eu jogava muito bem. Todos ficavam me observando, o que fez de mim um ídolo. Mas como já disse eu tinha sempre essa promessa feita para mim mesmo que era de estudar e não ser simplesmente um jogador, e sim um grande homem na vida.
SSL: Como foi assumir a presidência do clube que o senhor atuou por anos?
A minha trajetória é muito interessante, eu era um dos jogadores mais conhecidos por ter passado por cada divisão do clube. E depois como presidente eu continuo sendo o ídolo do futebol Democrata. Eu me lembro bem que a primeira sede do democrata foi na Rua José Duarte de Paiva, onde hoje funciona a “Choperia Montana” e que infelizmente foi perdida por falta de uma boa administração. Já a segunda sede do Democrata foi na Rua Lassance Cunha onde também foi perdida por falta de administração. Os donos do supermercado “Bretas”, propuseram ao pessoal da administração que o campo do Democrata fosse construído por eles. Isso foi proposto ao presidente da época que era o Humberto Timo, e a idéia era que toda construção do campo ficasse em troca do terreno que funciona o supermercado, na Rua José Duarte de Paiva, o então antigo estádio do Democrata. No final Humberto preferiu receber o dinheiro para construir, mas a construção não feita da forma certa. Nessa época, eu era presidente do Conselho Deliberativo do Democrata e cheguei a conversar com o Humberto para que ele mudasse a maneira de dirigir o clube. Na época, (2008) Humberto me disse que estava cansado da função e que só não passava o cargo de presidente para outra pessoa, porque ninguém tinha coragem de assumir a dívida. Humberto disse que se naquele momento alguém se manifestasse quanto ao cargo ele imediatamente entregaria a presidência. Foi então que eu aceitei e como não sou bobo pedi que ele oficializasse na hora (risos).

SSL: Como o senhor conseguiu reverter as contas do clube, houve muitas dificuldades?
No começo eu fiquei muito assustado porque eu não sabia a real dimensão das dívidas do clube, que na época eram grandes. Minha família nunca soube, mas eu por diversas vezes já cheguei a tirar do meu bolso para ajudar o time (emociona). Mas eu sempre pensei o Democrata sempre fez muito mais por mim. Tudo que tenho, foi o futebol que me proporcionou. Então como eu, graças a Deus sempre fui um homem de muitas amizades, comecei a contar com o apoio de varias pessoas para chegar onde o clube estar hoje. Quando eu tomei posse haviam muitas dívidas e um fato engraçado é que as pessoas, pelo fato de ser eu o presidente, ficaram com muita esperança de receber o que o clube devia. E isso foi difícil sabe, mas se o Democrata é o que é hoje é por que eu lutei muito, com muita dignidade. Me orgulho muito de ser um homem que apesar disso nunca fiquei devendo ninguém. Nunca tive cobrador na minha porta. Por isso sempre procuro dar o exemplo a todos
SSL: Quais são as grandes paixões do senhor hoje?
Hoje eu tenho duas paixões. Uma vem em primeiro lugar, que é a minha família, minha esposa, filhos e hoje os netinhos e em segundo lugar o Democrata por quem sempre fui apaixonado. Olha sempre tive minha família como foco. Graças a Deus nunca joguei baralho, nem conheço carta de baralho, se você me mostrar uma capaz de eu não saber qual é (risos) e o mesmo foi com a sinuca. Quando os jogares estavam na farra, eu tinha em mente que eu tinha que estar o tempo lendo livros porque eu queria casar e dar uma boa educação aos meus filhos.
Eu pensava em ser um grande homem, para ele dar em primeiro lugar aos pais tudo o que eles não podiam dar de criança. E foi assim, a primeira casa que eles tiveram, fui eu quem deu (emociona). Os meus colegas me recriminaram porque eu não ficava com a casa e colocava meus pais para morar comigo, mas eu disse não, eles merecem, eu conquisto o resto para mim e para a família que eu vou formar. Eles precisam da liberdade deles. Em primeiro lugar vem o sucesso deles.
No começo eu fiquei muito assustado porque eu não sabia a real dimensão das dívidas do clube, que na época eram grandes. Minha família nunca soube, mas eu por diversas vezes já cheguei a tirar do meu bolso para ajudar o time (emociona). Mas eu sempre pensei o Democrata sempre fez muito mais por mim. Tudo que tenho, foi o futebol que me proporcionou. Então como eu, graças a Deus sempre fui um homem de muitas amizades, comecei a contar com o apoio de varias pessoas para chegar onde o clube estar hoje. Quando eu tomei posse haviam muitas dívidas e um fato engraçado é que as pessoas, pelo fato de ser eu o presidente, ficaram com muita esperança de receber o que o clube devia. E isso foi difícil sabe, mas se o Democrata é o que é hoje é por que eu lutei muito, com muita dignidade. Me orgulho muito de ser um homem que apesar disso nunca fiquei devendo ninguém. Nunca tive cobrador na minha porta. Por isso sempre procuro dar o exemplo a todos
SSL: Quais são as grandes paixões do senhor hoje?
Hoje eu tenho duas paixões. Uma vem em primeiro lugar, que é a minha família, minha esposa, filhos e hoje os netinhos e em segundo lugar o Democrata por quem sempre fui apaixonado. Olha sempre tive minha família como foco. Graças a Deus nunca joguei baralho, nem conheço carta de baralho, se você me mostrar uma capaz de eu não saber qual é (risos) e o mesmo foi com a sinuca. Quando os jogares estavam na farra, eu tinha em mente que eu tinha que estar o tempo lendo livros porque eu queria casar e dar uma boa educação aos meus filhos.
Eu pensava em ser um grande homem, para ele dar em primeiro lugar aos pais tudo o que eles não podiam dar de criança. E foi assim, a primeira casa que eles tiveram, fui eu quem deu (emociona). Os meus colegas me recriminaram porque eu não ficava com a casa e colocava meus pais para morar comigo, mas eu disse não, eles merecem, eu conquisto o resto para mim e para a família que eu vou formar. Eles precisam da liberdade deles. Em primeiro lugar vem o sucesso deles.
Hoje eu sou casado, me casei no dia 25 de abril de 1963, com 21 anos. Este ano eu fiz 47 anos de casado com uma mulher que é uma verdadeira companheira, uma esposa que é uma pessoa que deu muito valor e que sempre está comigo. Ela sofreu junto comigo e hoje ela merece o conforto que tem porque sempre acreditou em mim. Enfim, esta é a minha vida, com muita dignidade e lealdade. Hoje não sou rico, pelo amor de Deus dizer isso, mas posso até fazer pelos pobres o que um dia não fizeram por mim.

SSL: Qual a lembrança mais marcante de época em que o senhor era jogador do Democrata?
FG: Uma boa lembrança foi quando eu assinei o meu primeiro contrato, aos 17 anos, e isso foi no ano de 1958. Isso para mim foi muito importante tendo em vista que outros atletas assinavam com 22 anos ou mais. Mas a lembrança mais bonita que eu sempre me recordo é que com o salário, eu comprei um som para minha mãe, uma vitrola. Recordo bem da cena, ela colocou o som, porque na época não existia televisão, dentro da casa bem no centro da sala (emociona).
SSL: E em relação á festa de comemoração dos 96 anos do Democrata, como será, o senhor já está emocionado com a data?
FG: A minha intenção é que a festa mesmo seja feita no ano de 2014, no centenário do clube. Mesmo se eu não for o presidente, (emociona) eu quero estar lá para comemorar como a gente vai fazer neste ano. Espero que Deus me permita e me dê vida até lá (emociona). Para este ano a comemoração foi muito simples, mas contou com todos os amigos e fãs do Democrata. Estive lá na carreata levantando a bandeira com muito orgulho, eu e os meus quatro filhos, Rone, Rejane, Roberta e Renata, e minha esposa, todos são maravilhosos, são minha vida assim como o Democrata.
por Cíntia Rezende e Ana Flávia Martins
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